sexta-feira, 9 de junho de 2017

DESELEGÂNCIA VIRTUAL

“A palavra vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao ‘bom costume’, ‘costume superior’, ou ‘portador de caráter’. Princípios universais, ações que acreditamos e não mudam independentemente do lugar onde estamos”.
Já ouviu falar em ética?
Ah, não? Releia o primeiro parágrafo. É isso aí: ética é pra ser usada em todo lugar. Em sua casa, no seu trabalho, na sua vida - aqui inclui sua vida virtual também, especificamente falando em redes sociais.
Redes sociais: eis o problema, eis o foco!
Penso que deveria existir um processo seletivo para dar a algumas pessoas o direito de se inscrever em contas de redes sociais. Você não acha?
Essas pessoas são aquele tipo clássico que compartilha notícia tendo lido só a manchete ou ainda se sente o repórter policial. Adora compartilhar tragédias e entrar em discussões banais.
Os que usam as redes sociais como plataformas para lamentos ou provocações poderiam ser banidos, da mesma forma que os eleitores partidários fanáticos – especialmente os que dão a vida por um tal Lula aí. Povo chato! Brigam, insultam e criam inimizades pra honrar uma ignorância besta que aflorou após sua vida virtual. 
Em aplicativos de mensagem instantânea é a mesma coisa. É mais suportável receber centenas de mensagem de bom dia do que aturar um chato deselegante em grupos criados para facilitar a vida e estreitar a amizade.
Quem nunca se deparou com um desses?
O cidadão é tão ordinário que joga uma 'direta', fala mal de você no mesmo grupo em que você está. É a pessoa mais negativa, mais polêmica, mais popular, mais problemática e mais inoportuna do grupo. Quer descontar seus problemas pessoais ali, sobre as pessoas que nada têm a ver com o desamor que preenche sua vida. 
O que é que custa usar rede social para criar vínculos sociais? Pra quê espalhar o ódio, a inimizade, a discórdia?
Não tem o que falar? Fica quieto! Emojis de joinha ou de carinhas amarelinhas de bobo alegre seriam bem mais simpáticos. 
Gente, já foi o tempo em que internet era terra sem leis. O que você compartilha hoje pode ser usado contra você amanhã. Não fale mal de seu coleguinha nas redes sociais porque ele pode te presentear com um processo por crime de injúria, calúnia e difamação. Cuidado com os famosos prints! Você não é tão bom ou esperto quanto pensa!
Que tal descontar sua raiva e revolta limpando uma casa, lavando um carro ou dando uma voltinha pelo bairro? 
Todos têm o direito de se expressar, mas é bom manter a cautela ao se manifestar sobre determinado assunto. Se o problema for intriga pessoal, mande uma mensagem privada para seu desafeto. Comece a treinar hoje. Aprenda a observar apenas a fim de aprender a ser elegante e ético nas redes sociais. Você será bem visto e bem quisto daqui a pouco tempo.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

TURMINHA DO "EU ME ACHO"






Estou só observando essa geração de crianças e adolescentes de autoestima superelevada, incapaz de seguir regras ou lidar com frustrações. Uma geração que, desde cedo, não aceita crítica, não tem limites, não aceita ‘não’ como resposta, não tem autonomia nenhuma.
Quanta gente melindrosa! Quanto mimimi!
Daqui a alguns anos, creio que veremos um monte de adultos bebês, de ego sensível e extremamente inflado.
E agora eu me pergunto: o que é que vocês estão arrumando, pais?
Vamos acordar! Coloquem na cabeça que seu filho não é melhor que ninguém. Pode ser pra vocês, pro mundo, não! Ao invés de mimarem oferecendo o mundo, ensinem-no a viver esse mundo, mas de forma real.
Que mania imbecil de achar que seus filhos são vítimas do mundo.
Ah, e não quero ouvir: você não tem filhos, por isso pensa assim!
Não! Não tenho filhos, mas qualquer um pode ver o narcisismo aflorado na molecada. Uma turminha que ‘se acha’ e tem se tornado cada dia mais arrogante.
Na escola, sofre bullying, a nota baixa é culpa do professor, o frio é justificativa da falta em dia de prova, o colega é sempre o vilão, não pode ser chamado à atenção, não aceita receber ordens. As crianças ou adolescentes têm todos os direitos, mas nenhum dever. Falam mal professor, insultam, falam mal na internet. E vocês, pais, enchem o peito, vão até lá, brigam em defesa da cria mesmo sem saber o que aconteceu – estão emocionalmente comovidos pelas lágrimas de seus bebês. Afrontam o professor e, claramente, mostram o porquê de o filho ser como é. Lamentável!
Em casa, essas ‘crianças’ não podem arrumar a cama, sabem malemá amarrar tênis, não colocam comida no prato, não esquentam o leite e vão dormir sem escovar os dentes. Na rua a historia é outra: beijam na boca, seguem as tendências da moda, falam de sexo (não apenas) e mandam ‘nudes’ via rede social.
Têm milhares de amigos virtuais, poucos reais – não conhecem o valor da amizade. Não conseguem resolver um desafio de matemática, mas têm a coragem e a curiosidade aguçada pra conhecer os desafios de um tal jogo chamado “Baleia Azul”.
Coitadinhos desses jovens. São tão frágeis. Tudo os magoa.
Triste é saber que vão se magoar ainda muito mais se seus papais e suas mamães continuarem a passar a mão em suas cabecinhas, a aplaudirem até seus erros, não estabelecerem limites, não estimularem a independência e continuarem a tratá-los como bebezinhos birrentos.

sábado, 15 de abril de 2017

Padre Fábio de Melo e Evaristo Costa: uma dupla bem-aventurada

Bem-aventurados os que usam a internet para entreter, porque serão eternamente queridos.
Padre Fábio de Melo e Evaristo Costa são mitos nessa tal de rede mundial de computadores. Divertem seus seguidores com maestria. O sarcasmo e a ironia de um casam perfeitamente com as sensacionais tiradas públicas e sinceras do outro. O resultado é surpreendentemente cômico. De vez em quando eles “trocam troladas”, se cutucam ali - de forma amigável, claro - e o riso é certo.
Milhares de pessoas deveriam se inspirar nesses dois ao utilizarem redes sociais, que não foram feitas para serem palco de lamentos, disseminação de tragédias, sensacionalismos ou inverdades; tampouco para mostrar a comida que se come. "Postar" a comida é a pior parte. É o ápice da carência.
Qual interesse da outra pessoa em saber se eu como macarrão ou arroz com feijão?
O que posso mudar na vida dela postando publicamente minha refeição do almoço de terça-feira? Penso que nada!

Ter um padre - comumente um homem mais reservado – interagindo com seus fieis seguidores, fazendo piadas e criando personagens engraçados a partir de aplicativos, é, no mínimo, de se admirar. Ter o padre Fábio de Melo ali com seu comportamento inusitado, dando o ar de sua graça, mostra que nem só de pregação vive um sacerdote. Simpático com o povo, nunca perde o bom humor e não rebate críticas.
Em entrevista já afirmou que precisa ter imunidade afetiva para não se deixar abater. Ainda que a vontade possa ser responder à altura, seria, no mínimo, contraditório, no caso dele. A chuva de hipocrisia e moralismo viria à tona: "Nossa, um padre falando assim?!" Como se o coitado não fosse um "terráqueo" como nós.
Ver um jornalista famoso dando atenção especial aos seus tantos fãs já é diferente. Ler o que Evaristo escreve em resposta a seus milhares de seguidores é hilário e atrativo, tanto pela ironia e sinceridade nas palavras, quanto pelo contraste com sua realidade na emissora em que trabalha.
Os internautas provocam e “Eva”, como carinhosamente chamado nas redes sociais, sempre surpreende a quem o acompanha com suas alfinetadas diretas.
Há muitos padres que, dentro das próprias paróquias, estão longe de seu povo, e jornalistas que, na ânsia de verem seu nome estampado numa notícia bastante lida, perdem seu tempo denegrindo a imagem do outro.
Os tempos mudaram e personalidades, para estarem mais próximas do povo, foram para as redes sociais. A diferença é que o padre e o jornalista citados encontraram o caminho certo para chegarem até as pessoas, simplesmente sendo quem são fora de suas atividades, usando a cordialidade e o bom humor. São agradáveis no que fazem e na maneira como fazem. Desta forma, tornam mais leve a rotina pesada e cansativa, e quebram aquele conceito de seriedade próprio de um padre e de um jornalista de bancada.
Extrovertidos, descolados e “zueiros”, não afetam a imagem alheia e ainda conseguem divertir até aqueles que não são fiéis na igreja católica ou fãs do sistema Globo se comunicação.

domingo, 31 de julho de 2016

SAGRADO ENTARDECER

Era terça-feira. Do altar ele a vê adentrar a igreja. Alta, esguia, aparentando trinta e poucos anos. Chorava soluçando. Respirava profundamente. Ele apenas a observava cheio de compaixão. Era o momento da exposição do Santíssimo.
Paramentado, o religioso tentava se concentrar no momento sagrado, mas a pobre moça roubava-lhe a atenção. Aquele alheio sofrimento causava-lhe desconforto.
De onde viria aquela jovem senhora? Por que chorava tão desesperadamente?
Ao término do rito diário, antes da missa das dezenove, o padre aproximou-se da mulher e disse:
- Em que posso ajudá-la, minha filha?
Não obteve resposta. E insistiu:
- Moça, quer conversar?
Ela fitou os olhos nele, levantou a cabeça lentamente e caminhou rumo às escadarias, sem dizer uma palavra.
O padre permaneceu ali porque já estava próximo do horário da missa. Proferiu em voz alta que Deus a abençoasse.
No dia seguinte, ao arrumar o altar, viu novamente a moça entrando na igreja. Bem vestida, aparentemente calma, ficou ali durante a oração ao Santíssimo. Calada, reflexiva, em posição de oração. Às vezes o choro era silencioso e ininterrupto. Isso se repetia pelo menos três vezes na semana.
Numa quinta-feira, ao fim do ritual, ela permaneceu sentada. Desta vez, o padre aproximou-se e, também calado, sentou-se ao seu lado.
Padre Pedro era alegre, muito humano e solícito; por esse motivo, era muito querido pelos fieis. Há cinco anos estava à frente daquela paróquia. Conseguiu arrebanhar muitos dos católicos que estavam distantes das missas.
- Tudo bem, padre?
- Estou bem, com a graça de Deus! E a senhorita? Há dias que a observo. Por que chora tanto?
Conversaram durante vinte minutos.
 - Ok! Procure-me, então, na segunda, na casa paroquial, para a confissão.
- Combinado! Segunda, às 17h30, padre. Eu irei.
Às segundas não celebrava missas lá. Padre Pedro aproveitava o dia para organizar a casa paroquial, descansar e, vez ou outra, atender alguma confissão. Lá tinha um terreno de árvores frutíferas, onde colocava sua cadeira de balanço. Relaxava, fazia leituras e apreciava estar mais próximo de Deus por meio da natureza.
Era manhã de um cinco de outubro. Acordou cedo, organizou a casa, alimentou os animais. Fez caminhada, almoçou. À tarde, deitou-se em sua rede no quintal. Adormeceu. Acordou com o soar da campainha. Era a fiel que iria confessar-se.
O Padre foi até a porta, convidou-a para entrar. A tarde estava muito bonita.
- Posso atendê-la aqui mesmo? A igreja está fechada...
- Óbvio, padre. Não há problema.
- Entre! Esteja à vontade, filha.
Sem hesitar, ela entrou, seguiu-o até o quintal. Ele ofereceu-lhe uma cadeira.
- Conte-me, minha filha! O que a traz aqui?
- O senhor, padre! – exclamou ela, ensaiando um riso com o canto da boca.
- Não entendi! – manifestou-se ele, um pouco confuso.
- Pedro, você não está me reconhecendo? - retrucou.
- Continuo não entendendo, senhorita.
- Pedro, sou a Lúcia. Como pôde se esquecer de mim? – indagou inconformada.
Com a cabeça baixa, o padre não esboçava nenhum movimento.
- Não se recorda de nossos entardeceres lá atrás da Matriz de Santo Antônio? - persistia a moça. Foi você quem me tirou a pressa de ver a noite, que me mostrou a beleza cotidiana do adeus do sol, lembra? Passei anos à sua espera...  Ah, Pedro...
Padre Pedro ficou estático. Com os olhos na direção do sol poente.
- Prossiga! – ordenou ele, enrubescido, encarando-a rapidamente.
- Pedro, eu não estou brincando! Veja essa tarde! É como as tardes em que nos encontrávamos. Há anos choro todos os dias esse horário, quando me lembro do nosso esconderijo, daquilo que poderia ter sido. Eu amava, e ainda amo, aquela incerteza... As reticências do nosso passado, Pedro...
 - Lúcia! – ele a interrompeu.
- Diga, Pedro.
- Eu sou padre – disse-lhe, tocando levemente e delicadamente a face.
- E aquelas juras, Pedro? E nossas tardes cheias de poesia? Você me comparava ao crepúsculo, lembra? Você não é mais aquele homem corajoso? Você me prometia a eternidade, gostava de se deitar comigo na grama e olhar o céu alaranjado, aguardando a chegada do cintilar da lua... Eu ainda te amo.

[Silêncio]

Lúcia saiu da casa paroquial quando era noite. A tarde envelheceu e a moca foi-se embora a pé, sem rumo, cambaleante.
Padre Pedro, atabalhoado, passou a noite em claro. No dia seguinte abriria a Igreja às seis.
Às cinco e meia já havia tomado o café. Pegou a chave e foi para a Igreja. Passou o dia ali. Às dezessete e trinta começou a arrumar o altar. Estava inquieto. O horário da exposição do Santíssimo se aproximava. Nem sinal da moça desta vez.
Padre Pedro a esperou por dias, semanas e meses para conversar após o dia da confissão. Não tinha nenhum contato para que pudesse chegar a ela.
- Senhor, Senhor! Eu sei que tudo sabes! – orava o padre em uma tarde qualquer.
Durante muitos dias, punha-se de joelhos e permanecia em misterioso silêncio.  Os entardeceres de padre Pedro pareciam cinzentos agora. As portas para a noite eram abertas sem surpresas. Nas orações, pedia a Deus sabedoria.
Seguiu com sua vida na paróquia.
Cerca dez meses depois, Lúcia apareceu em um começo de tarde. Padre Pedro ainda estava na sacristia. Ao reconhecê-la, lá de dentro, veio ao seu encontro. Parou, encarou-a e disse, com um tremor característico na voz:
- Lúcia, quanto tempo! O que a traz aqui?
Lúcia respirou fundo, apontou para o cesto próximo aos seus pés e sorriu:
- Oi, Pedro! Quero batizar o bebê.

domingo, 19 de junho de 2016

DESENROLAR DA QUADRILHA

Sentado em sua cama numa noite de inverno, Carlos terminava de reler uma história que escrevera há alguns anos, bem antes do tempo moderno:
"João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.”
No ápice da lucidez, parou e pôs-se a refletir, convicto desta vez:
- Espera aí! Lili amava, sim. Não se casou com J. Pinto Fernandes?
Sob a fraca luz de seu aposento, começou a rabiscar o único retalho de papel que estava ao seu alcance no momento:
Lili se casa com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história, mas há tempos estava de olho naquela elegante senhora. Soube-se por aí que esse moço queria formar família, com três varões e uma filha.
Depois de onze meses do enlace com Lili trouxeram à luz o pequeno Frankuiney. Em seguida, veio a doce Joquebedes e, mais pra frente, os gêmeos Litibenque e Achillynney.
O mais velho, aos dezoito, saiu de casa e, amando Zoneide, sobrinha-neta do João, aquele que amava Teresa antes de ir para os Estados Unidos, uniu-se em matrimônio à moderna e se mandou a um lugar desconhecido.
Joquebedes, toda meiga, não estudou e virou meretriz. Conheceu Juasine, Risoleta e Bissetriz. Com elas foi morar e seu passado fez questão de apagar.
Os gêmeos, aos quinze, começaram a namorar. Litibenque com Anaslete, Achillynney com Deusidete. Anaslete já tem barriga, John Weire está por vir. Deusidete por desgosto, já ensaia com outro fugir.
Eclésia é a garotinha que nessa história apenas passa. Joquebedes não a quis por preferir vida ordinária. A pequena Pastor Welbis rejeitou, sua origem saberá Deus onde ficou! Madre Teresa a acolheu; hoje anseia adoção por uma alma de bondoso coração.
Kiovranny, Baruel e Anaslete esperam por DNA. Não se sabe de que amor vieram a brotar.
Lili caminha desconsolada pelas ruas e agora só chora. J. Pinto Fernandes queria mesmo era ter ficado de fora. Ninguém ama ninguém.
E a história toma novo rumo agora...

Carlos, já sonolento e cansado, adormeceu com caneta e papel ao seu lado.


Texto finalista MAPA CULTURAL PAULISTA Edição 2015 - 2016

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Despedindo-me de 2015


2015 está indo...
De maneira geral, foi um ano bom pra eles, ruim pra mim ou pra você, indiferente pra tantos outros.
2015 foi atípico... Ou não, se considerarmos que ele apenas revelou escancaradamente o que é o homem, em que este ser se transformou, e o que suas mazelas, seu egoísmo e sua falta de humanidade causaram e têm causado ao mundo e a tantos inocentes. Muita gente, como eu, deve ter tido vontade de jogar a camisa por achar que não tinha mais forças pra continuar na luta, mas Deus estava lá, está aqui, mostrando que o amor rege essa vida (louca) e que a esperança aqui dentro só adormece, não morre.
Foram infinitos percalços nesse ano ímpar. Muitas decepções, perdas, tragédias... Mas teve alegria também. Tristeza e alegria são sentimentos antagônicos, coexistentes e que, inevitavelmente, que se misturam...
Não realizei tudo o que planejei. Ora por força das circunstâncias, ora por não depender só de mim. Deus me mostrou que não era o momento. A ansiedade é que faz a espera dolorosa... É preciso mudar!
E neste momento em que é chegada a hora da despedida do 2015, peçamos ao Pai que sejamos mais humanos e respeitemos mais as diferenças daqui pra frente.
Um 2016 diferente depende de você, de mim e de tantos outros. A luz da esperança tem que estar mais viva do que nunca, para que tenhamos a força de mudar o rumo, de transformar nossa história.
Agradeço a Deus pela saúde que me fez firme no ano velho e pela vida de todos os que preencheram meus dias. Purifiquemo-nos agora de nossas possíveis mágoas, livremo-nos das culpas e de tudo o que nos paralisa.
Para os próximos 365 dias do ano novo, um recado:
Homens, coloquem-se em seus lugares, vocês não têm mais poder que Deus ou que a Natureza. Parem de ser escravos de si mesmos, trabalhem para o sustento e só! Sejam mais solidários, conversem mais olho no olho, prestem atenção ao que acontece fora de seu universozinho particular! Parem de viver em função dos outros! Estudem mais! Não sejam reprodutores das inverdades midiáticas! Não sejam contribuintes para a disseminação da ignorância! Sejam seres autenticamente humanos!
Enfim... Espalhem amor, amem mais, coloquem um sorrisão verdadeiro no rosto, vivam mais e sejam felizes em todas as estações.
FELIZ ANO NOVO!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MUNDO IR(REAL)

Dominou-lhe a frieza esquisita,
os cliques, os likes,
o descarte da vida.
Dominou-lhe a mentira,
disfarces, em rede,
patente covardia.
Dominou-lhe o desconhecido,
deixou-o triste;
efêmero que persiste, não desiste.
O personagem construído,
em pouco tempo, revelado;
um papel moldado,
ilusório, um viciado.
O belo é sem avesso,
sem sustento, de vida aparente,
de encontros felizes virtuais,
tão distante dos reais.
Mundo solidário,
tão às mínguas.
Solitário.

Texto - Mapa Cultural 2015

Fonte imagem: http://2.bp.blogspot.com/_cLzJzFYNnDs/S4xKHxGsU9I/AAAAAAAAACQ/t9ZyCMWR2z8/s400/amor-virtual.jpg

sábado, 7 de março de 2015

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Mulher não é sexo frágil coisa nenhuma – já cantava Erasmo.
Homens são fortes, mas é a nós que eles recorrem quando estão aflitos, ou quando precisam bater um prego, trocar lâmpadas, riscar o palito de fósforo ou substituir um pneu.  Cada vez mais independentes, estamos aí, firmes e apreendendo as virtudes masculinas, no entanto, mantendo-nos doces, sensíveis e donas da capacidade de encantar só com um olhar.

Parabéns, mulheres! 

sábado, 26 de julho de 2014

DIAMANTE


Pedra sob o entalhe,
distante da cor, multicolores. 
Brilho disfarçado, presente.
Força fulgente. 
Imperfeito, belo como arte.
Firme, imortal.
Dessemelhança essencial, 
singular, tão plural. 
Da talha precisa,
simetria. 
Facetas em conjunção. 
Assim és, também, palavra: 
diamante em trovadoras mãos. 
Desassossega, espanta, 
Atrai, seduz,
reluz, encanta.

sábado, 12 de julho de 2014

SUA HORA CHEGOU, BRASIL!

É, amigos brasileiros, mais uma vez não foi desta vez!
A Copa no Brasil foi, sim, a Copa das Copas. A organização superou expectativas e isso pôde ser visto até na imprensa internacional. Foi marcante o envolvimento, a hospitalidade e a alegria dessa nação que eu tanto amo.
Óbvio que não há brasileiro (patriota) que esteja feliz hoje com o quarto lugar. Mas, fazendo sua pior campanha em Copa, merecia mesmo entrar para a história.
Pensando bem, era hora de a Nação – ex-país do futebol – tomar esse choque de realidade. É triste que tenha sido por meio do futebol, esporte tão apaixonante que leva milhões de torcedores à loucura.
O que vimos foi a vitória da competência, da organização e da técnica precisa sobre a malandragem. Alemanha, vencendo por 7 a 1 e Holanda por 3 a 0 corroboraram. Brasil tomou 14 gols ao todo, e desta vez não teve o tal jeitinho brasileiro, ainda que estivéssemos aqui, onde muita coisa se resolve desta maneira.
Não acho que caiba a nós, agora, ficarmos julgando aqueles que estavam lá defendendo o verde e amarelo. Não estavam lá por um acaso. Claro que deveriam ter trabalhado de forma mais séria, renovada e eficiente, e, certamente, levando em consideração que o passado de Pelé ficou lááá longe, quando muitos deles ainda nem sonhavam em nascer.
Mas julgar também é bem fácil e, dependendo do tamanho da inconformidade, até natural. Só que nada mudará passos - ou passes - dados da história, tenham sido eles certos ou errados. Ainda mais quando se tem um Cabeça – dura – como o nosso, se Deus quiser, ‘ex-técnico’ Felipão.
Cabe a nós, que não estávamos preparados nem um pouco para tal derrota, voltarmos à realidade e irmos à luta! Realidade que não é transmitida pela mídia manipuladora, luta da qual não devemos fugir.
A Seleção Brasileira de 2014 deixa sua marca. Vergonhosa? Sim! Humilhante? Muito! E arrasadora e deprimente, eu acrescentaria.
Vi uma nação chorando entristecida. Inesquecível! Tudo pela perda da oportunidade de chegar ao tão sonhado sexto título mundial.
A grande herança da copa, ao meu ver, é um belo exemplo para as gerações que estão vindo. Até mesmo para os jogadores novinhos que disputaram sua primeira copa do mundo. Sem trabalho, esforço e seriedade não se ganha. Nem no esporte, nem na vida.
Bem... O trabalho feito com a equipe brasileira não foi bacana. Nossa Nação vai mal e não é só no futebol. A eliminação envergonhou, e realmente acabou com o sentimento de que estava tudo bem por aqui. Estávamos envergonhados há tempos. A Copa no Brasil só inibiu isso.
Mas, logo mais em outubro, temos uma disputa ainda mais importante. É ali que o Brasil tem que vencer de verdade. É quando teremos que escalar os homens que levarão nosso país e nosso povo à verdadeira vitória.
Nosso Brasil tem que ser Pátria Amada todos os dias, não só nos estádios. Pátria Amada merece cidadão que é honesto, luta dignamente pelo seu sustento, exerce sua cidadania através de um voto consciente.
Nossa nação não precisa de cidadãos que roubam, matam, sonegam impostos num dia e no outro vestem a camisa verde e amarelo e choram cantando o hino nacional.
Vamos que vamos, Brasil! Agora, sim, é hora de mostrar sua força!


PS.: Daqui a quatro anos, nosso Brasil estará na Rússia, pelo Hexa. Estarei torcendo com a mesma intensidade e alegria.
Valeu, Amigos! 2018 estaremos lá!